O pertencer sustentável

Rafaela Ferreira

A luta feminina que constrói uma cadeia agroecológica, coletiva e de luta política

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Gessyane apresenta Energia das Mulheres da Terra para parceiros em encontro na Universidade Federal de Goiás no setor universitário | Foto: Heloisa Sousa

A Energia das Mulheres da Terra busca unir forças e fortalecer narrativas de mulheres camponesas | Logo Energia das Mulheres

Teias - A elaboração da iniciativa, também, pensada em cadeia. A empresa de Gestão e Elaboração de Projetos para a Agricultura Familiar (GEPAAF) foi umas das que encabeçou a proposta. “Nosso projeto, Energia das Mulheres da Terra, é executado pela empresa de assessoria rural, em parceria com a cooperativa Casa do Cerrado e financiado pelo fundo socioambiental Caixa”, contou a coordenadora.

 

A agricultura familiar, a agroecologia e a soberania alimentar convergem com a Energia. Os 74 projetos de agricultura familiar e as 18 organizações beneficiárias proporcionam a disponibilidade de alimentos saudáveis nos mercados locais. Além disso, promovem uma melhoria na qualidade de vida e saúde de comunidades em situação de vulnerabilidade socioambiental e também o desenvolvimento rural sustentável.

 

Gessyane conta como a Energia ainda se divide em dois tipos de projetos: os familiares e os coletivos. “Os projetos familiares são construídos ou instalados dentro da propriedade da mulher da terra. Eles podem ser um biodigestor, uma cisterna, um tanque de peixe ou a bomba solar”, afirma.

A terra é energia, as mulheres são a força. A capacidade de produzir vivências a partir do que a terra pode prover é Pachamama, a Mãe Terra que dá frutos para a sustentação da vida. Com isto, a coletividade e o saber compartilhado estão, inteiramente, interligados a um  Bem Viver, que seria, justamente, desta interação com a terra e o desenvolver comunitário. Então, pensando nisso, as companheiras do projeto Energia das Mulheres da Terra, desde fevereiro de 2019, provam que esse viver é possível.

 

Com 19% de mulheres produtoras rurais, os homens ainda são maioria no campo, em questão de produção, eles são 81%. Os dados fornecidos pelo Censo Agro de 2017, do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam a necessidade da ocupação das mulheres em lugares que são seus por direito. Isto, porque, elas representam 48% da população total em zona rural. 

 

Considerando estes dados – além do Bem Viver –, a Energia das Mulheres da Terra nasce com um propósito de potencializar as atividades femininas no campo, com a implantação de tecnologias de energia renovável. De acordo com Gessyane Ribeiro, coordenadora geral da Energia das Mulheres da Terra, o projeto propõe, assim, um desenvolvimento de rede gerido por agricultoras.

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A Energia e seu Território - O usufruir da terra é um direito de todas e todos. Neste sentido, a organização de uma rede de comunicação compartilhada é necessária para o fortalecimento das políticas territoriais. Assim, o Território Médio Araguaia e a Energia das Mulheres são projetos que perceberam a, quase urgência, dessa teia de comunicação. 

 

Com a união de núcleos do Território Médio Araguaia (Nazário, Bom Jardim, Iporá e Caiapônia), a Energia das Mulheres da Terra vai mais além. Ela se junta a mais 5 outras regiões de Goiás. São elas: a Estrada de Ferro (Orizonte) Vale do Araguaia (Uirapuru), Vale do Rio Vermelho (Itapuranga, Goiás, Itaberaí e Heitoraí), Vale do Paranã (Divinópolis) e Vale do São Patrício (Ceres).

 

No Território Médio Araguaia, Gessyane Ribeiro conta sobre como o Energia desenvolveu seus projetos coletivos. “Nós temos dois projetos coletivos, que é a cisterna de captação de água de chuva, que recolhe 30 mil litros, e a bomba solar, que vai ser instalada no assentamento Padre Ilgo, agora no mês de março”, contou.

 

O Pertencer - “O principal empoderamento das mulheres participantes do projeto, que eu vejo, é o político. Elas estão mais atuantes nos espaços, a começar pelos próprios conselhos locais”, diz Gessyane. Ela completa falando do pertencer e o orgulho que fazer parte deste projeto pode trazer para as mulheres. 

 

O Bem Viver chegou à Energia das Mulheres da Terra. Mais do que o desenvolvimento ecológico, a proposta é o compartilhar. Um coletivo de mulheres que apoia mulheres é o fruto que Pachamama colhe. “Cada família e instituição participante se compromete a contribuir com fundo solidário - 10% do valor do seu projeto. Com este recurso, nós construímos mais projetos familiares, assim, beneficiando outras mulheres. Dez mulheres da Terra financiam outra mulher”, concluiu.

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