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RETRANCA

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Olho

O mundo virtual é realmente fantástico. Recheado de códigos, perguntas e respostas múltiplas, personalidades, identificações não propriamente ditas. Vagar por esse oceano de informações não é seguro porque a maré sempre está alta, nervosa e barulhenta. E em meio à toda essa turbulenta navegação, o homem se vê viciado no balançar das ondas tecnológicas e consequentemente, afogado nas próprias águas que alimentam o ego, e todos aqueles outros adjetivos que permitem que o ser humano se encontre satisfeito consigo mesmo, ou pelo menos à procura disso.

 

 Repito, o mundo virtual é realmente algo fantástico, aos olhos da tripulação à deriva. É tão fantástico que não faria sentido se a internet não existisse, ou pior, se sumisse, desaparecesse, fosse em direção ao espaço. Não há dúvidas de que seguiriam à sua procura, e abitariam a lua com acesso livre ao ilustre wi-fi. 

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A internet vem a ser de tanta importância, que seria até mesmo capaz de mudar e sintetizar romances da literatura e seus flertes ultrapassados, sem precisar publicar uma nova versão, ou sequer procurar por palavras refinadas no Aurélio. Se Bentinho fugisse do seminário para jovens padres nos tempos de hoje, e quisesse informar a meio mundo do ocorrido, bastasse tuitar e fazer um upload de uma selfie, com inúmeras hashtags jurando seu amor pela bela #dissimuladacomolhosdeciganaoblíquoa.

 

Mas não só isso, como Bentinho poderia compartilhar todo o seu ciúme não apenas consigo mesmo e acabar tachado de louco, como também para todos os seus amigos do Facebook: “Se sentindo traído, com Capitu e Escobar, em Rio de Janeiro”. Até mesmo Peri que é índio-herói, não precisaria ter lutado bravamente com a pobre onça para mostrar a Ceci toda sua devoção, se a opção “curtir” existisse, porque não há mesmo outra forma mais verdadeira de demonstrar sentimentos que não seja curtindo a foto da pessoa amada. 

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