Por

NAMIE MARTINS YOSHIOKA​

IDEIAS

Contos da atualidade

Um universo paralelo nas redes sociais

O mundo virtual é realmente fantástico. Recheado de códigos, perguntas e respostas múltiplas, personalidades, identificações não propriamente ditas. Vagar por esse oceano de informações não é seguro porque a maré sempre está alta, nervosa e barulhenta. E em meio à toda essa turbulenta navegação, o homem se vê viciado no balançar das ondas tecnológicas e consequentemente, afogado nas próprias águas que alimentam o ego, e todos aqueles outros adjetivos que permitem que o ser humano se encontre satisfeito consigo mesmo, ou pelo menos à procura disso.

 

 Repito, o mundo virtual é realmente algo fantástico, aos olhos da tripulação à deriva. É tão fantástico que não faria sentido se a internet não existisse, ou pior, se sumisse, desaparecesse, fosse em direção ao espaço. Não há dúvidas de que seguiriam à sua procura, e abitariam a lua com acesso livre ao ilustre wi-fi. 

Curtir, comentar, compartilhar: as três fases do comunicar-se instantâneo

A internet vem a ser de tanta importância, que seria até mesmo capaz de mudar e sintetizar romances da literatura e seus flertes ultrapassados, sem precisar publicar uma nova versão, ou sequer procurar por palavras refinadas no Aurélio. Se Bentinho fugisse do seminário para jovens padres nos tempos de hoje, e quisesse informar a meio mundo do ocorrido, bastasse tuitar e fazer um upload de uma selfie, com inúmeras hashtags jurando seu amor pela bela #dissimuladacomolhosdeciganaoblíquoa.

 

Mas não só isso, como Bentinho poderia compartilhar todo o seu ciúme não apenas consigo mesmo e acabar tachado de louco, como também para todos os seus amigos do Facebook: “Se sentindo traído, com Capitu e Escobar, em Rio de Janeiro”. Até mesmo Peri que é índio-herói, não precisaria ter lutado bravamente com a pobre onça para mostrar a Ceci toda sua devoção, se a opção “curtir” existisse, porque não há mesmo outra forma mais verdadeira de demonstrar sentimentos que não seja curtindo a foto da pessoa amada. 


Comunicar-se foi a forma que o ser humano encontrou de lidar com a solidão, desde as sílabas soltas dos hominídeos até os super smartphones que cercam a sociedade atual. A constante necessidade de se comunicar somada com a tecnologia, possibilitou o surgimento não só de redes sociais, como a agregação de palavras contemporâneas (selfie, tuitar, hashtag) e que marcam fortemente o período que se vivencia. 


A proximidade com um desconhecido do outro lado da tela mostra a facilidade em conhecer pessoas novas, assim como de se expor excessivamente, fazendo com que o cotidiano se torne visível à todo o círculo de amigos no mundo virtual. Mas não apenas se expor, como também criar uma nova vida sobre a visão da internet, procurando o melhor ângulo da foto, ou a melhor frase de música para enfeitar o status, ou simplesmente dizer como você está se sentindo hoje. 


As redes sociais são diretas, dispensam entrelinhas ou metáforas complicadas. O Twitter questiona algo um pouco importuno logo de cara: “O que está acontecendo?”. Coisas costumam acontecer, não poucas, nem fáceis, nem boas ou ruins. Apesar disso, interpretar uma pergunta como essa não parece problema algum, já que o Twitter se tornou a ferramenta de fácil uso para qualquer tipo de informação livre, rápida e constante. 

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Já o Facebook, é um pouco menos rude, e questiona simplista: “O que você deseja compartilhar?”. E é exatamente aí que se parte todos os tipos de coisas imagináveis e inimagináveis no mundo aberto da internet. São perguntas tentadoras e que induzem ainda mais o interesse da pessoa em tornar uma rede social, uma peça do seu guarda-roupa. 


Por outrora, esse distúrbio do mundo digital, de fato, permite aos usuários a leve dose de entretenimento e passatempos necessários para não acabar perdido no mundo real. Sendo assim, utilizar redes sociais não se torna algo compulsivo, mas as pessoas se tornam compulsivas quando o assunto é se manter conectado. Não checar o celular é quase um crime às leis da tecnologia, e não procurar por um aparelho novo é o absurdo do capitalismo que acompanha freneticamente o crescimento desse universo paralelo. 


Além do mais, nenhuma das redes sociais obriga os usuários a se cadastrarem e entrarem de cabeça. Porque apesar de ser dominado, quem realmente domina tal mundo tecnológico, são os mesmos que o criaram, num só clique.

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