A evolução da fotografia - e onde Luisa Dörr se encaixa.

Davi Galvão - Amanda Dutra - Eduarda Leite - Gabriella Paiva

      Ao tirar uma foto com o celular, em apenas um clique, mal imaginamos a imensa trajetória e as pessoas envolvidas nos esforços de se realizar uma fotografia, nem na diferença discrepante entre as frações de segundos atuais e os vários minutos que antes se levavam para um simples retrato.   

        Os primeiros registros de experiências fotográficas datam de, aproximadamente, 350 a.C, e, em algum momento do século X, o árabe Alhaken de Basora registrou a natureza das imagens que se projetavam no interior de sua tenda trespassada pela luz solar. Ao longo da Idade Moderna, diversos cientistas e estudiosos contribuíram para os estudos acerca dos sais de prata, mas a primeira fotografia propriamente dita foi autoria do francês Joseph Niépce, em 1826, em um processo químico de cerca de 8 horas.  

     No Brasil, o francês Hércules Florence foi um dos inventores da fotografia, ainda que de forma isolada do resto do mundo, já que já que seu invento foi ignorado por muitos anos até que o historiador Boris Kossoy publicasse em 1980 “Hercules Florence 1833: a descoberta isolada da Fotografia no Brasil”.Com a popularização da fotografia e a competição do mercado, novos modelos de câmeras foram surgindo desde então, até o ponto atual, em que é possível realizar fotografias a      nível profissional com apenas o uso de um smartphone (e comparando-se o peso de um daguerreótipo com um Samsung Galaxy, pode-se dizer que a humanidade saiu no lucro).  

       Com o uso da imagem digital, capturar, armazenar e compartilhar fotos de alta qualidade nunca foi tão fácil, algo que, embora tenha popularizado e universalizado o fazer fotográfico, acabou também por levantar o debate acerca do que é, de fato, uma fotografia em seu aspecto profissional, uma vez que a ideia de se realizar um trabalho especialista por meio de apenas um celular é algo ainda não aceito por diversas pessoas.  

         Para provar que tais pensamentos são infundados, faremos algumas postagens sobre grandes fotógrafos que trabalham profissionalmente com o uso de celulares. E a bola da vez é Luisa Dörr! Falaremos sobre Jorge Bispo, Iude Richele e, por fim, Almir Vargas.  

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A primeira fotógrafa, Luisa Dörr, nasceu em 1988, em Lajeado, município do Rio Grande do Sul. A brasileira de 31 anos usa os retratos como um veículo para contar narrativas, explorando a complexidade da natureza humana e a feminilidade. Através desses, transmite, de maneira leve, as características dos motivos fotografados, elevando a simplicidade e, simultaneamente, expressões de força e naturalidade.  

      Desde pequena, Luisa explicitava seu interesse pela fotografia. A menina gostava de brincar com uma caixa de fósforos, a fingir que essa fosse uma câmera, além de pedir uma máquina verdadeira como presente de aniversário. Quando cresceu, tornou-se estudante de design gráfico e foi trabalhar no estúdio fotográfico de sua tia.  

      Em 2016, a gaúcha trabalhava como fotógrafa das olimpíadas do Rio para o jornal “El País”, quando seu telefone tocou a chamado de Kira Pollack, diretora de fotografia da revista Times. Pollack, que conheceu Luisa através do Instagram, queria que o caráter singular daquelas fotografias estivesse presente nas próximas edições da revista, a representar as personalidades femininas mais fortes do mundo e compor o projeto FIRSTS.  

      Com o seu Iphone, Luisa fotografou Hillary Clinton, Oprah Winfrey, Serena Williams, Sheryl Sandberg, além de muitos outros tipos que nunca sonhou em encontrar. Tornou-se famosa pelo material utilizado em suas fotografias e pela mensagem que essas transmitem: o protagonismo e a força feminina.  

       “Eu comprei meu primeiro iPhone em 2012. Ele era apenas um complemento para o meu trabalho naquela época. Mas, as expectativas do usuário cresceram de forma exponencial à medida que surgiram novos modelos. Agora, minha câmera pesada é o complemento. Eu fui de transportar uma câmera apenas quando estava trabalhando para levar uma câmera no meu bolso todos os dias. De repente, consegui fazer grandes fotos a qualquer hora, em qualquer lugar, sem o estresse de carregar uma bolsa cheia de lentes, cartões e baterias. Além disso, a modelo se sente menos intrusiva quando você pede para tirar uma foto com o seu telefone. Eu gostei da praticidade e, é claro, gostei dos resultados.”  

Declarou, ainda, em uma entrevista para a Fhox:  

      “As ferramentas são apenas um meio. Elas ajudam no processo, mas não criam. O que faz a diferença é aquele que segura a ferramenta e a relação que ele/ela estabelece com a fotografia, como um meio, e não como uma finalidade.”  

      Confira agora algumas das fotografias mais emblemáticas dessa grande artista: 

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