Por

ISABELA
CRISTINA
DA SILVA

CULTURA

De objetos a sujeitos, o feminino no cinema

A tragetoria das mulheres na busca de um mundo por seus próprios olhos

Ao falar de cinema, nos recordamos de brilhantes atrizes que se tornaram verdadeiros ícones da sétima arte, esquecemos, porém, do árduo caminho percorrido não só por elas, mas por mulheres em diversas posições no meio cinematográfico, como diretoras, roteiristas e produtoras para terem seu trabalho inserido e reconhecido em uma sociedade altamente patriarcal. Foram elas que, através do cinema, retrataram pela primeira vez suas próprias experiências, histórias e opiniões, esculpindo assim uma nova visão do universo feminino, extremamente importante para a aquisição de espaço em meio à sociedade.

 

Ao longo da história, nos diversos meios de produção de imagem, por muito tempo, a mulher teve seu ponto de vista contado por homens. Oestereótipo de “mocinha a ser salva”, por exemplo, foi enraizado em diversas culturas através de obras cinematográficas que as caracterizavam como seres frágeis e dependentes. A introdução de películas dirigidas, escritas e produzidas por mulheres, contribuiu imensamente para quebrar o paradigma que impunha papéis de incapacidade e submissão ao sexo feminino.

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O início da ascensão do cinema feminino ocorreu no final do século XIX e início o século XX com nomes como Alice Guy, que dirigiu seu primeiro filme em 1896; Lois Weber, uma das mais aclamadas diretoras dos anos 1910 e Dorothy Arzner, cujas obras apresentaram vários atores de alto prestígio em Hollywood dos anos 1920 aos anos 1940. A maioria delas, no entanto, apesar de ter contribuído com grandeza não só para a caminhada em direção à igualdade de gêneros, mas também para a diversidade e evolução da produção cinematográfica, acabaram tendo seus trabalhos esquecidos ou pouco mencionados.

 

Mesmo com o significativo progresso da participação feminina nesta indústria, ainda não há representatividade e recognição suficientes. Um bom exemplo, no caso, e o Festival de Cannes deste ano, onde somente 14% dos filmes concorrentes à Palma de Ouro (prêmio de maior importância do festival) são de diretoras. Nas poucas vezes em que tal recognição é dada, há o alarmante problema da falta aceitação em um meio dominado pela figura masculina, como no caso da figurinista britânica Jenny Beavan, vencedora do Oscar por seu trabalho em Mad Max, que ao levantar-se para receber o prêmio, não foi aplaudida por seus colegas do sexo masculino e, .mais tardem duramente julgada por não estar usando um vestido.

 

Em virtude dos fatos mencionados, percebe-se que a atuação da mulher em meios cinematográficos foi e continua sendo de extrema importância para a representação da visão feminina em meio à sociedade. A luta por equilíbrio e aceitação nesse âmbito deve ser enaltecida incentivada, ocasionando, dessa maneira, maior reconhecimento e respeito do trabalho e valor da mulher para a cultura da sétima arte.

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