Por

LUIZ 
PHILLIPE 
DE ARAÚJO
BARBOSA

POLÍTICA

Culpados culpando

Olho

A sessão que decidiu pela continuidade do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff foi aberta sob gritos de “ fora PT ”, após alguns discursos, foi possível notar que os deputados que defendem o prosseguimento do processo, mantiveram uma singularidade ao culpar o estado atual econômico do país a apenas um partido, como se todas as escolhas feitas nos últimos anos ligadas a economia tivessem sido tomadas apenas pelo PT, esquecemque a até pouco tempo PMDB e outros partidos da base aliada contribuíram em diversas decisões. E embora também citados nos atuais casos de corrupção, membros de partidos opositores insistiram em colocar o PT como único responsável pela corrupção na política vigente.

 

Já no momento da votação, vários parlamentares votaram “ sim ” usando como argumento uma suposta representação da voz do povo que pedirá afastamento de Dilma, porem isso aconteceu de forma seletiva, pois quase sempre esquecem de reproduzir vários outros pedidos que a população faz cotidianamente, mostrando assim que esses votos na verdade não foram para povo e sim decisões próprias.

 

Processos como o de cassação ao mandato de Eduardo Cunha; presidente da câmara do deputados; também é um dos pedidos da população em geral, porem pouco é lembrado pelos deputados, exemplificando a forma calculista que os parlamentares decidem o que fazer ou não dentro da política, e que no fundo, as decisões tomadas não são representativas, mas para benefícios próprios.

 

Muitos também trataram o impeachment como tese de salvação do Brasil, o que chega a envergonhar quem tenha pelo menos a básica noção do que é a política nacional. (Se) aprovado o impedimento contra Dilma, o país terá uma política ainda mais enfraquecida, no qual, homens públicos continuarão a usar motivos torpes para tomarem decisões sérias,e fortalecidos para continuarem se esquivando de acusações, sempre as jogando para o outro lado, ocupando-se com isso e esquecendo o papel primordial de um político, que é representar o povo.

 

Tirar o partido dos trabalhadores da presidência não significa extingui-lo da política, e significa menos ainda solução para os problemas econômicos, políticos ou qualquer outro, no máximo, resolverá problemas de ego de alguns políticos.

 

Partidos opositores estatisticamente corruptos que lutam tanto para acatar um processo e esquecem do poder que têm para tomar diversas outras iniciativas para o solucionamento efetivo da crise econômica, não estão preparados para assumir o mais alto cargo da política, nem de longe é a representação que o povo espera.

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