Por

VICTOR M.
WEBER

IDEIAS

Impróprios

Perdidos no meio de tanta informação, jovens de hoje reproduzem discursos que disseminam cada vez mais a intolerância

Uma juventude imprópria traça caminhos tortuosos para o futuro das sociedades modernas. Onde a lei que domina é a de quem fala mais alto e o número de curtidas é sinônimo de aprovação, muitos jovens travam uma guerra de narrativas, não deixando espaço para o discurso livre, para opiniões divergentes. A geração que proclama liberdade, muitas vezes se acorrenta em arquétipos inflexíveis que promovem cada vez mais a intolerância.

 

Impropriedade diz respeito à inadequação, à impertinência e instabilidade que os jovens de hoje tanto enfrentamcomosemeiam através de enunciados superficiais. A contradição está presente não só em suas ideologias, mas também em suas perspectivas de um futuro que amedronta e desmotiva. Ideais que antes eram contestados, hoje são reproduzidos por jovens que, muitas vezes, não sabendo filtrar a massiva quantidade de informação a seu alcance, ficam à mercê daqueles que manipulam a opinião alheia.

 

A pluralidade vai perdendo sua força e os discursos se estreitam em direção a uma dicotomia na qual cada um deve escolher seu lado, refutando automaticamente o outro e extinguindo qualquer chance para o debate.As redes sociais são um exemplo nítido desse campo de batalha, onde há espaço para qualquer tipo de opinião, mas as armas usadas são sempre as mesmas, provenientes de grupos com os mais diversos interesses que controlam pelos bastidores o discurso de quem não conhece o chão que pisa.

As redes sociais são o palco dessa batalha de narrativas

Procurar ouvir opiniões diferentes e se aprofundar antes de reproduzir qualquer que seja o discurso é fundamental. A intolerância nasce do desconhecimento, da falta de apuração, do conformismo com aquilo que lhe é repassado muitas vezes sem nenhum aprofundamento. Cada um de nós tem direito à sua própria opinião, mas a tolerância é essencial para que haja um debate civilizado. Tomar uma verdade como absoluta é apegar-se à inércia; a busca pelo conhecimento vale sempre mais que a informação concretada ao status quo (expressão do latim que significa "no mesmo estado que antes").

 

Por sua própria naturezaindômita, a juventude sempre foi acusada de representar o futuro. E por carregarem esse fardo, devem conhecer o passado e não se submeter a nenhum tipo de discurso com segundas intenções que possa desvirtuá-los do caminho que escolhem. Conformar-se apenas com aquilo que ouvimos ése limitar somente à disputa e quem fala mais alto e nos prende a um futuro superficial e impróprio, sem liberdade.

 

Esse pode ser apenas mais um discurso sem propriedade alguma, mas ele também está aqui para ser contraposto e, com sorte, talvez abrir espaço para o debate.

Confira também

© 2015-2016. Criado por Vinicius de Morais Pontes, sob orientação do profº Nilton José dos Reis Rocha. FIC/UFG.