Por

IGOR
WINICIUS 
RODRIGUES
BARRETO

IDEIAS

Entre a moderação e a liberdade

Olho

O Brasil passa por um momento muito intenso em que a liberdade de expressão e de comunicação uniram-se à facilidade de propagação de ideias e ideais por meio das redes sociais. No navio da liberdade embarcaram os jornalistas e toda a comunidade que, com a internet, se julga portadora de um conhecimento irrefutável.

 

Estamos navegando em um mar de possibilidades, de verdades relativas e de mentiras criadas, recriadas e desmentidas. Mentiras verdadeiras e verdades mentirosas. Pensar nisso nos traz à tona algumas questões: até que ponto a liberdade de expressão pode ser considerada legítima? Deve haver algum tipo de censura ou moderação da imprensa? Em quem acreditar?

 

Principalmente depois da criação do Marco Civil da Internet, a luta no âmbito da liberdade de expressão se intensificou. Mas há o que se discutir dessa luta. As redes sociais proporcionam uma facilidade imensa de falar a muitas pessoas, de disseminar pensamentos, muitas vezes acompanhados de um certo preconceito.

 

Na visão de Humberto Eco, “as mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o

idiota da aldeia a portador da verdade”¹.

 

Nesse ponto, racistas e preconceituosos de todos os tipos encontraram apoio em pessoas que têm o mesmo preconceito e, sendo assim, não se sentem obrigados a esconder tais pensamentos. A punição a tais crimes ainda está longe de ser uma realidade e sempre que se fala nesse assunto, a mesma comunidade toma como uma forma de censura.

 

Na ala profissional da comunicação a promoção da liberdade e a explosão da internet não tiveram menores danos. Pelo contrário, o que vemos é jornalistas fazendo o trabalho de três ou quatro profissionais, tendo que produzir conteúdo com uma pressa absurda e deixando de lado a sua principal função: a análise dos fatos.

 

O jornalista passou a publicar muito mais pelo achismo e apresentando com maior intensidade seu posicionamento diante de determinada situação. A BBC Brasil em parceira com a USP fez um levantamento em que notou que três das cinco notícias mais compartilhadas no Facebook na semana imediatamente anterior a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff eram falsas e foram desmentidas em notas oficiais².

 

O jornalista já tinha perdido todo o sentido de prestador de serviço público de que fala o código de ética da profissão em decorrência das demandas de mercado. Agora, com as redes sociais que não param um minuto, essa situação só se agrava. Cada vez mais se vê grandes jornais publicando boatos como verdades e influenciando milhões de pessoas.

 

Nesse vão de informações criadas para suprir a necessidade de vender e a necessidade de polemizar uma lei de moderação seria uma censura?????

 

 

¹Disponível em <http://www.brasilpost.com.br/2016/02/20/frases-umberto-eco_n_9280762.html&gt>; Acesso em 17 abr. 16.

 

²Disponível em <http://noticias.terra.com.br/brasil/na-semana- do-impeachment- 3-das- 5-

noticias-mais- compartilhadas-no- facebook-sao-

falsas,285e84ed368d55df5b5f3e347e860f71stgq9ccn.html&gt>; Acesso em 17 abr. 16.

Confira também

© 2015-2016. Criado por Vinicius de Morais Pontes, sob orientação do profº Nilton José dos Reis Rocha. FIC/UFG.